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António Manuel da Fonseca e o programa decorativo do Palácio Quintela (1822)
Irina Alexandra Lopes
Câmara Municipal de Mafra
Artista incontornável da designada Pintura Neoclássica, considerado por reconhecidos historiadores e críticos de arte como o mais insigne pintor do Academismo Romano Oitocentista, máximo representante oficial do Neoclassicismo pictórico em Portugal, António Manuel da Fonseca constitui, como pintor e professor proprietário da disciplina de Pintura Histórica da Academia de Belas Artes, de Lisboa, uma figura ímpar no contexto artístico do século XIX português, quer pela sólida formação académica adquirida no estrangeiro, quer pela grandeza e diversidade da obra artística, quer pelo selecto e constante leque de clientes, privados e oficiais.
Seguindo uma característica geral do Neoclassicismo pictórico, a pintura decorativa de palácios, ocupa um lugar destacado na primeira fase do percurso profissional de António Manuel da Fonseca, cuja temática gira em torno das alegorias históricas e mitológicas – extraídas da História Romana e da Mitologia Greco-Romana – encontrando-se nelas as imagens que os cidadãos podiam interpretar como reflexo do curso histórico vivencial.
Consciente da missão da arte na sociedade e apesar do pintor se encontrar dependente do gosto do seu cliente, o sentido final do programa iconográfico do Palácio Quintela – propriedade de Joaquim Pedro Quintela (2.º Barão de Quintela, 1.º Conde do Farrobo), liberal convicto – reflecte a função metafórica de explicar a conciliação de duas facções políticas opostas em Portugal – os liberais e os absolutistas – enaltecendo os valores universais do Liberalismo de 1820-1822, mormente a pintura a fresco denominada Rapto das Sabinas, inspirada no Livro I, da Ab Vrbe Condita, do autor romano Tito Lívio.



COORDENAÇÃO CIENTÍFICA
António Nunes Pereira
Sandra Costa Saldanha



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