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Aparato e Cenografia. A escultura na decoração novecentista do Palácio Palmela em Lisboa
Sandra Costa Saldanha
Escola Superior de Design/IADE
A modesta estrutura original do palácio Palmela em Lisboa, na R. da Escola Politécnica ao Rato, adquiriu ao longo do século XIX claras feições de residência nobre, consequência das sucessivas obras de ampliação promovidas pelos seus diferentes proprietários. Edificado entre 1792 e 1794 pelo arquitecto Manuel Caetano de Sousa para sua própria residência, seria renovado logo em 1822 pelo 1º conde da Póvoa. Palco de inúmeros acontecimentos sociais, transformar-se-ia, a breve trecho, num importante centro cultural da Lisboa oitocentista, conhecendo o seu período áureo sob a égide de D. Maria Luísa de Sousa Holstein, 3ª duquesa de Palmela.
Sintoma da adequação dos espaços às necessidades dos novos moradores, têm lugar, a partir de 1865, significativas intervenções ao nível dos seus interiores. Além das diversas campanhas decorativas de que foi alvo (ao nível dos estuques, pintura e mobiliário), verificam-se também importantes alterações de ordem estrutural, nomeadamente com a criação de uma sala de banquetes e com os melhoramentos introduzidos em algumas das zonas de maior aparato da casa, como é o caso do vestíbulo e da escadaria.
Em conformidade com a sua crescente sumptuosidade ornamental, assiste-se também neste período a um especial interesse pela escultura, aplicada não apenas como animação estrutural (em colunas, pilastras ou arcarias) mas, sobretudo, como opção decorativa, integrada em nichos e assente em pedestais. Apreciada como escultora e aclamada como mecenas, o papel da duquesa de Palmela no panorama artístico do seu tempo traduziu-se, de facto, pelas sucessivas encomendas de obras de arte, muitas das quais destinadas a guarnecerem o renovado palácio do Rato.
Desfile de afirmados artistas, às intervenções de Luigi Manini e de Leandro Braga, vinha assim juntar-se a criação de uma notável galeria de escultura. Reunindo um dos mais representativos repositórios da 2ª metade de Oitocentos, o vestíbulo e escadaria do palácio foram enriquecidos com obras da autoria de Anatole Calmels, Eugéne Guillaume, Simões de Almeida, Alberto Nunes, Moreira Rato, Teixeira Lopes e, naturalmente, da própria duquesa de Palmela.



COORDENAÇÃO CIENTÍFICA
António Nunes Pereira
Sandra Costa Saldanha



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