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A Real Quinta Queluz, vivências e ambientes: de retiro galante de D. Pedro III e D. Maria I, a residência permanente dos Príncipes Regentes (1747-1807)
Maria Inês Ferro
Palácio Nacional de Sintra/IMC
Nascido da vontade de D. Pedro III, um homem discreto, culto, informado e rico, o Palácio de Queluz, assume um espírito de sofisticação lúdica que se enquadrava bem numa casa de campo real, longe do protocolo e obrigações oficiais da corte da Ajuda.
A sua história começara com a quinta e habitação de veraneio ao gosto italianizante dos Marqueses de Castelo Rodrigo – cerca de século e meio antes de D. Pedro III ter empreendido as grandes obras que lhe dariam a fisionomia que tem hoje – e prolongar-se-ia até ao final do absolutismo, simbolicamente marcado pela morte de D. Pedro IV no quarto D. Quixote.
Em Queluz assiste-se ao privilegiar dos ambientes privados e da intimidade, com a afectação de determinadas salas a funções específicas, reveladas nos próprios elementos ornamentais ou nos programas pictóricos que, com o advento do rocaille, invadirão lambris e sobreportas, delimitados por sinuosas molduras douradas: é o caso dos conjuntos pictóricos da Sala de Jantar privada, representando Merendas de Caça e do Toucador da Rainha com representações de Meninos fazendo toilette, numa alusão explícita às funções a que se destinavam. Muito cuidada é a distribuição do mobiliário nos aposentos reais, obedecendo a certos padrões de decoração com nítida predominância do gosto francês.
Nunca será de mais evocar a polivalência dos espaços interiores e exteriores e a íntima relação com os jardins, vistos como um prolongamento natural dos interiores, eles próprios objecto de um variado programa lúdico. De salientar também a capacidade de encenação de todos estes espaços com recurso a "armações" e a arquitecturas efémeras, em ocasiões de maior solenidade ou festas, em articulação com o próprio ritmo dos períodos de habitação real.
Através da análise do Inventário do Palácio elaborado em 1763 pelo Almoxarife Agostinho José Gomes com a descrição das 33 salas então existentes, das poucas plantas mais tardias do século XVIII sobreviventes e ainda de descrições de época, é possível tentar reconstituir em parte a articulação e funções dos diferentes espaços nos cerca de cento e setenta anos de habitação real da Quinta de Queluz



COORDENAÇÃO CIENTÍFICA
António Nunes Pereira
Sandra Costa Saldanha



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