Maria Helena Barreiros Bolseira da FCT |
A reconstrução pombalina da Baixa de Lisboa pós-1755 fez emergir de forma massiva e aparentemente radical um modelo habitacional novo, destinado a um também novo estrato social em processo de ascensão: os comerciantes da praça de Lisboa, portugueses ou estrangeiros e, com eles, os retalhistas e a gente dos ofícios mais qualificados.
A burguesia pombalina, ainda que em fase de auto-reconhecimento e estruturação, requer formas de habitat que se adaptem ao seu estilo de vida próprio, e que simultaneamente reflictam a dignidade social a que aspira.
Apesar das variantes que o prédio pombalino apresenta ao nível da distribuição interior, é possível identificar dispositivos que se repetem, alheios a condicionamentos físicos como a dimensão do lote, ou as características do seu terreno de implantação.
É possível ainda encontrar-lhe antecedentes imediatos, desde logo, no prédio joanino; ou programas híbridos, resultantes da adaptação da lógica de um habitat de tipo colectivo ao estatuto social de cada sub-categoria de residentes.
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