Fernanda Pinto Basto Escola Superior de Artes Decorativas/FRESS
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Por vezes, é na periferia geográfica portuguesa que se encontram motivos para os interiores portugueses terem tardado em assimilar as expressões artísticas saídas dos valores renascentistas. Contudo, este aspecto não foi o motivo específico, nem tão pouco o único, que assistiu à lenta apropriação do Classicismo. Este facto, que não deverá ser observado sob qualquer espécie de estigma, tem, antes pelo contrário, razões sobejas de carácter e vínculo cultural. Vejamos que à Itália coube a valorização da sua cultura artística, renascida pelo Quattrocento, e dela emanaram influências que, com maior ou menor rapidez, consentiram apropriações estilísticas um pouco por todo o lado. Ora se, à partida, a condição geográfica pareceria ser razão bastante para maior morosidade, não é, contudo, naquela que se esboçam fundamentos e, antes pelo contrário, é no carácter da cultura artística ibérica que encontramos todo um mesmo propósito de valorização. Atendamos ao facto de que, quer em Itália quer nos reinos de Espanha e de Portugal, havia duas culturas antigas intrínsecas e ambas as geografias acabaram por encontrar, nesses seus alicerces, motivos maiores para proceder à sua revalorizarão e é nestes agentes que residem as causas para que não tivéssemos podido assimilar, nem rápida nem drasticamente, uma cultura artística que nos era alheia. Além disso, a supremacia da matriz islâmica não só era mais decorativa, mas também mais consentânea com o espírito do momento então vivido.
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