Isabel Mayer Godinho Mendonça Escola Superior de Artes Decorativas/FRESS
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A utilização do estuque de relevo em interiores palacianos portugueses tornou-se uma prática corrente a partir do século XVIII, com a vinda de estucadores italianos para Portugal, durante o reinado de D. João V. Entre esses estucadores destacou-se João Grossi, natural de Como, responsável pela criação da “Aula de Desenho e Fábrica de Estuques” (1764/1777), de onde saíram os mestres e os oficiais que mantiveram viva esta prática decorativa durante o século XIX.
Nos palácios analisados da capital e dos arredores, pertencentes à aristocracia (o palácio Cabral, o palácio Pombal em Lisboa, na rua do Século, e em Oeiras, o palácio do Correio-Mor em Loures, o palácio Fronteira em Benfica), e à nova burguesia endinheirada (o palácio do Machadinho e o palácio do Mitelo), o estuque tornou-se omnipresente, dominando a decoração dos interiores, nas salas de aparato e de música, mas também nos pequenos espaços íntimos, nas capelas e oratórios e nas casas de fresco, em íntima ligação com o azulejo aplicado em silhares. Se as composições figurativas, verdadeiros compêndios da vivência do dia a dia destes palácios, nos permitem muitas vezes identificar as utilizações dos diferentes espaços, a linguagem ornamental das cercaduras e cartelas acompanha a evolução dos estilos e dos gostos dos restantes países europeus, da Regência francesa ao Rococó de influência germânica e austríaca.
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