IADE: presente na Exposição de Fotografia "Políptico"
Exposição "Políptico"

Fotografia do Prof. Paulo Andrade (IADE)

No âmbito da 2ª edição de Interferências, a
exposição de fotografia Políptico parte de um
motivo: a evocação dos Painéis de São Vicente de Fora, aqui
reinterpretados em "versão" fotográfica e reportados à sociedade
portuguesa de hoje.
A exposição, que reúne trabalhos de fotógrafos portugueses
(entre os quais o Prof. José Luis Neto do IADE) e
espanhóis, é comissariada por Nuno Aníbal Figueiredo
(também docente do IADE) e André de Quiroga, contando com
o apoio da galeria Juana de Aizpuru e com o Alto Patrocínio da
Assembleia da República.
O conjunto que se projecta trabalha algumas das ideias (umas
confirmadas, outras desconfirmadas, outras ainda por confirmar) que
a História teceu sobre a obra-prima da Pintura portuguesa do século
XV: o problema da autoria individual ou colectiva da obra; a
questão da sua unidade ou não enquanto políptico; a obsessão pelo
seu simbolismo iconográfico excessivo ou pela decifração de uma
"charada" visual propositada; a leitura da figura central como ora
sacra (do Santo Padroeiro de Lisboa), ora laica (representando a
Nação); ou o problema, mais prosaico, da identificação dos
representados à época, desde os mais altos dignitários da nação até
às classes mais humildes.
O que se pretende é um retrato da actual sociedade portuguesa
conservando artificialmente a ambiguidade das premissas da pintura
evocada. Daí que se privilegie o carácter simultaneamente singular
e colectivo da autoria dos vários trabalhos apresentados nesta
exposição; a individualidade de cada retrato e a sua forçada
aspiração a uma unidade de conjunto; a natural profusão de
referências simbólicas em cada peça e o seu consequente
enigmatismo; o assumir de uma obra-pastiche ou das múltiplas e
legítimas reinterpretações possíveis de uma obra.
Às propostas de José Luís Neto, José Maçãs de Carvalho e Pedro
Cabral Santo junta-se o olhar de fora de Carmela García, Cristina
Lucas e Pierre Gonnord, patrocinado pela galeria madrilena Juana de
Aizpuru.